segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Dixielands em Praga

Banda Dixieland na ponte Karlov Most - Praga (República Tcheca)

Pela sua liberdade de linguagem, estrutura e musicalidade, atualmente o jazz possui caráter universal. É interessante notar as formas específicas que este gênero assume em cada parte do mundo, justamente pela sua flexibilidade em incorporar acentos culturais peculiares de cada região.

Sendo assim, é possível encontrar uma formação de Dixieland Band em pleno leste europeu, como neste caso em Praga, capital tcheca. O estilo de jazz chamado Dixieland nasceu em New Orlears (EUA) no começo do século XX e teve como um de seus principais representantes o eterno músico Louis Armstrong. A sua formação instrumental é geralmente composta por banjo, contra-baixo acústico, bateria, piano e uma seção de sopros (trompete, clarinete, trombone e tuba). Em Praga existem vários grupos e músicos de rua onde, andando pelas praças, pontes e ruas centrais, encontra-se uma musicalidade muito atraente. Velhinhos debulhando saxofones e várias bandinhas ao estilo Dixieland.

Saxofonista tcheco nas ruas de Praga

O ritmo do jazz desfilando pelas ruas de Praga, num país que viveu por décadas sob a égide soviética comunista, inicialmente soa como algo estranho ou fora de lugar. Para muitos até seria o reflexo da abertura ao mundo capitalista de influência direta dos valores norte-americanos. Sim, de fato os EUA difundem seus valores diluídos nos símbolos culturais que exportam ao mundo. Como pensar, então, que um gênero tão livre e universal, criado por negros afro-americanos possa ser uma ferramente imperialista? Seria apenas influência ideológica ou a linguagem musical é contagiante a despeito de qualquer inclinação política?

Contra-baixista

Talvez um indício para as respostas destas perguntas seja o exemplo do tcheco Antonín Dvorák (1841-1904). Este compositor clássico, que atuou no período de plena afirmação de valores nacionalistas, difundiu como ninguém os valores folclóricos eslavos em sua obra. Não obstante, abriu-se aos idiomas sonoros da América, o que resultou na composição de obras célebres como a Sinfonia n.9 (1893), mais conhecida como Sinfonia do Novo Mundo, na qual Dvorák abrangeu elementos da música popular norte-americana. Tudo isso muito antes da Revolução Russa, da ascenção dos EUA como potência hegemônica, da II Guerra Mundial e da disputa ideológica entre capitalismo e comunismo durante os anos de Guerra Fria.


VIDEO: Banda Dixieland em Praga - MÚSICA: "You are my sunshine"

Fotos e vídeo: Márcio Guerreiro

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Um Violeiro Toca


Durante a Feira Sustentável de Florianópolis, um evento que agrupou e discutiu temas como agricultura familiar, reforma agrária, economia solidária, pesca e energias renováveis, tivemos a apresentação de Almir Sater. Num show caloroso e com muita receptividade do público, em sua maioria identificado com os temas da feira e, portanto, com toda a mensagem de valores de vida e terra presentes nas canções do violeiro sul mato-grossense.
Os grandes clássicos como "Chalana", "Um Violeiro Toca", "Trem do Pantanal", Tocando em Frente" e "Peão", composições muito representativas de sua carreira, não faltaram no show.
Nesta ocasião, Almir Sater concedeu entrevista exclusiva ao Blog Pente Fino Musical:
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PFM: É possível traçar um panorama atual do papel e da difusão da viola caipira no Brasil?
Almir Sater: A viola caipira é um instrumento que está bastante vivo na cultura popular. Embora não tenha difusão nos meios de comunicação de massa, continua sendo um instrumento muito representativo da cultura brasileira. Por várias regiões é possível encontrar praticantes amadores e músicos profissionais.
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PFM: Você vem de uma região geograficamente e culturalmente muito ligada aos países vizinhos como Bolívia e Paraguai. Como é esta interação cultural, especialmente no caso da música popular e os ritmos de fronteira?
Almir Sater: No Mato Grosso do Sul se ouvia muita música paraguaia, principalmente guarânias e polcas, ritmos que influenciaram muito a música regional do centro-oeste. Lembro que todo o contato com essa música era através de apresentações ao vivo. Já o caso da Bolívia foi posterior, pois a tradição do altiplano andino está mais distante da fronteira. Mesmo assim houve influência, como as músicas tocadas com charango por exemplo.
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PFM: Como você conheceu o grande violeiro Tião Carreiro?
Almir Sater: Foi num antigo festival da Record. Disse a ele que também tocava viola, ficamos amigos e assim Tião foi um grande mestre para mim.
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PFM: Atualmente ainda é possível conciliar a vida profissional vivendo longe dos grandes centros? Você ainda mora no campo?
Almir Sater: Hoje, com os filhos em idade escolar e também por questões profissionais, vivo na Serra da Cantareira, próximo à capital paulista.
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PFM: Seus filhos também seguem o caminho da música?
Almir Sater: Sim, eles até já formaram uma banda de rock, aliás, eu também sempre digo que sou roqueiro. Não me identifico com o que atualmente se chama de sertanejo no Brasil. Acho que uma viola ponteada soa muito mais rock'n roll, com toda aquela pegada forte, bem brasileira. Digo que não sou sertanejo mas também não tenho uma classificação para minha música, tenho muitas influências, que passam pelos ritmos paraguaios, andinos e o folk americano.
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PFM: E seus pais e avós também estavam ligados à música?
Almir Sater: Não, eles queriam mesmo é que a gente trabalhasse (risos). Na época os músicos não eram muito bem vistos e eu, de cabelos compridos tocando violão, era um afronta. Então aos 20 anos me mudei para o Rio de Janeiro e fui estudar Direito, mas aí conheci a viola caipira, nunca mais me separei dela e logo desisti da carreira de advogado.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Projeto Nação Balanço: Circulando 2009

Nação Balanço é um encontro de culturas, cores e ritmos brasileiros e afro-americanos. No projeto, idealizado pelo DJ Marcelo Pimenta, o samba-rock encontra o maracatu, o soul, o funk’70, o reggae, o samba de raíz, o hip-hop latino e a blaxploitation. O Nação Balanço tem uma proposta de mesclar a música dos anos 60 e 70 às sonoridades contemporâneas que nasceram desta fonte. O DJ Marcelo Pimenta é o mestre de cerimônias da festa.
O projeto conta com o menestrel Sr. Pilantragem para recepcionar o público e animar a festa, que preparou uma decoração móvel feita de material reciclável. Outra novidade do NB é a "Hora Experimental", que abre espaço para bandas novas, sons desconhecidos, performances teatrais. A "Hora Experimental" também pode ser temática, em forma de homenagem a grandes músicos ou movimentos e estilos específicos.
Alguns especiais NB: Circo; Toca Raul! (homenagem ao dia do rock); Copa do Mundo; Sacundin sacunden (Jorge Benjor); Festa Junina; Para Todos (Chico Buarque); Sérgio Mendes e Brasil´66; Sons do Mangue; Novos Baianos; Tim Maia; Wilson Simonal; Chico Science e outros.
Nas festas do NB, o espaço dado a artistas independentes é uma das maneiras que o NB encontrou de divulgar e incentivar a cultura local. Músicos, grupos de teatro, performers têm espaço garantido nos eventos da NB.
Através do site www.nacaobalanco.com.br você encontra programação dos eventos do projeto.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Honduras mais além de crises políticas

Guillermo Anderson (2° esq. para dir.) e músicos hondurenhos
A pouca informação que temos de países como Honduras ou qualquer outro da região, nos faz acreditar que eles sejam meras "repúblicas de bananas". Pela barreira que sofremos dos meios de comunicação, ou simplesmente por falta de interesse em questões mais amplas, estas nações só ficam em evidência diante de crises políticas ou catástrofes naturais.
Por isso, muitos brasileiros não sabem localizar Honduras no mapa e, muito menos, identificar alguma característica deste pequeno país que, por trás de crises e do grande bigode de Zelaya esconde muitas riquezas.
De fato, o país teve uma história permanentemente conturbada. Após a independência, Honduras conviveu com a alternância de presidentes civis e militares, impostos por golpes de estado. Ainda no século XIX, começou a sofrer forte influência dos EUA, que instalaram empresas para explorar a produção de frutas. A partir daí, os americanos passaram a controlar politicamente a região, conforme os interesses de suas empresas. Houve revoltas populares que eram sempre abafadas pelos EUA, que apoiavam os regimes ditatoriais, sempre coniventes com seus interesses. Durante os anos 80, o país foi forçado a servir como base para o exército americano na guerra dos Contra, quando os EUA combatiam o regime sandinista da vizinha Nicarágua, conflito que estendeu-se até 1989.
Atualmente o país ainda é bastante pobre e sua economia é baseada majoritariamente na agricultura. Porém, sua riqueza cultural começa pelo seu legado Maia, com forte presença na parte oeste do território, na região de Copán, onde há um grande sítio arqueológico com pirâmides, túneis e estelas (totens maias) esculpidos na rocha. Estas construções datam do século IV, sendo que Copán foi por muitos anos um dos mais importantes centros governamentais e cerimoniais da civilização Maia.
Honduras conta ainda com outros segredos como as Bay Islands, ilhas paradisíacas no mar do caribe, além da região interiorana de Danlí, que produz excelentes folhas de tabaco que resultam em ótimos charutos.
Já na sua literatura, destacam-se o poeta Juán Ramón Molina, o contista e romancista Froilán Turcios e seu letrado mais famoso, o historiador, poeta e jornalista Rafael Heliodos Valle.
A música hondurenha é um punhado de misturas que reflete a variedade étnica do país. Há influências da Europa, mais especificamente ibérica, devido à colonização espanhola, também influências indígenas, pelos vários grupos que compunham e ainda compoem o território e finalmente influências garífunas, um grupo étnico-cultural que habita a costa atlântica de alguns países da América Central e do Caribe. Este povo é descendente de escravos africanos submetidos à colonização britânica na região.
O trabalho contemporâneo do músico hondurenho Guillermo Anderson é uma boa síntese desta mescla cultural. Suas letras falam sobre situações e tipos sociais característicos, além de temas que mostram forte relação com o mar e a natureza. Já as melodias alternam-se em reggae, baladas e ritmos caribenhos, com influências garífunas e forte acento centro-americano.
É possível entrar em contato com esse novo universo musical pela página de Guillermo (www.myspace.com/guillermoanderson), com destaque para as composições "Pobre Marinero", um animado reggae; "El Encarguito", singelo e bem-humorado caso da relação com os hondurenhos emigrados aos EUA e "En Mi País", uma homenagem ao povo e à natureza de Honduras.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Si Se Calla el Cantor, Calla la Vida

Mercedes Sosa era uma artista rara, principalmente em relação às últimas duas décadas, em que a canção perdeu seu caráter de protesto, contestação e transformação social. Aliando suas raízes folclóricas, sua intensa musicalidade, o canto aguerrido e a atitude de luta e representação dos povos latino-americanos, Mercedes transcendeu o limite de ser simplesmente uma cantora, passando a ser um ícone da cultura e história da América Latina.

Já na edição de seus dois primeiros discos, deixava claro que não estava cantando sem propósito, pelo que se comprova de imediato nos títulos dos referidos discos: "Canciones con Fundamento" (1965) e "Yo No Canto Por Cantar" (1966), que trazem composições que revelam o íntimo da idiossincrasia e dos anseios de liberdade do homem trabalhador do campo, das províncias de substrato indígena do noroeste da Argentina como Jujuy, Salta, Catamarca, Santiago del Estero, Chaco e sua província natal, Tucumán.

O canto de Mercedes Sosa espalhou-se desta região para todo o continente, pelo fato de os povos dos demais países notarem identificação nas mesmas causas e anseios que se arrolavam em suas canções, ou seja, a mesma injustiça e opressão presente em sua região de origem, era comum aos outros países, justamente pelos seus processos históricos tão semelhantes.

Vieram então os anos mais sombrios, com a imposição de ditaduras pela América Latina. Em 1979, no auge da repressão na Argentina, foi presa durante uma apresentação na cidade de La Plata e exilada do país.

Após seu regresso em 1982 e terminada a ditadura em 1983, ainda que houvesse sido reestabelecida a democracia, Mercedes nunca deixou de evidenciar as questões políticas, sociais e de direitos humanos que marcaram cada década através de sua música.
O senso de unidade e integração da América Latina sempre esteve presente em sua vida e trabalho, pois desde o início gravava compositores de diversos países como Violeta Parra (Chile), Alfredo Zitarrosa (Uruguay), Daniel Viglietti (Uruguay), Sílvio Rodríguez (Cuba), Pablo Milanés (Cuba), sem contar os vários compositores de seu país como Atahualpa Yupanqui, Ariel Ramírez, Félix Luna, Gustavo Leguizamón, Horácio Guarany, León Gieco, Victor Heredia, Teresa Parodi, Tejada Gomez, Cesar Isella e tantos outros autores argentinos. A partir dos anos 80, incorporou ao seu repertório algumas composições de artistas de outras vertentes não folclóricas como Charly García e Fito Páez, além de gravar com artistas ligados ao tango, como Rodolfo Mederos e Leopoldo Federico. Ficava evidente que Mercedes já postulava uma abrangência e versatilidade de repertório e parcerias que a condicionasse a dialogar com outros gêneros musicais de maneira íntima e original em sua posição de grande intérprete.

Em relação ao Brasil, sua aproximação com artistas brasileiros foi pioneira e de grande valor para que as barreiras culturais insólitas que nos separam até hoje dos países vizinhos começassem a desvelar uma fresta pela qual fosse possível uma importante troca cultural. Fruto desta iniciativa foram trabalhos conjuntos com Milton Nascimento, Chico Buarque, Gal Costa, Fagner, Beth Carvalho, Caetano Veloso, Vitor Ramil, Luis Carlos Borges e outros. Ainda assim, infelizmente, o Brasil aprisiona-se na grandeza da própria música brasileira e insiste em voltar-se pra dentro ou para a música estrangeira cantada somente em inglês.

Especificamente como cantora, foi brilhante, pela voz imensa, profunda e a grande carga emotiva com que interpretava. Foi reconhecida internacionalmente, realizando turnês pelos mais diversos países, chegando aos palcos mais concorridos do mundo, como o Lincoln Center (EUA), Carnegie Hall (EUA), Morgador de Paris e até no Vaticano.

O legado de Mercedes é de grande importância e ultrapassa a simples herança do que foi uma grande cantora. Deixa em nossa memória o poder de mobilização e atitude capazes de serem expressos na música, coisa que poucos artistas atuais conseguem ou pretendem conciliar em seus trabalhos. O senso de justiça social, direitos humanos, integração dos povos e a luta pela liberdade foram a bandeira sobre sua música. Certamente seu desejo é que de agora em diante possamos contar com sucessores que não a deixem parar de tremular.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Rita Lee: 40 anos de rock

Carregando o estandarte de 40 anos de carreira dedicados ao rock brasileiro, Rita Lee traz a Florianópolis seu mais recente show, recheado de sucessos que, aliás, são tantos que só caberiam todos numa apresentação de várias horas de passeio pelo seu ecletismo e criatividade musical.
Seu título de rainha do rock ultrapassa as fronteiras deste estilo e desfila também por bossas, baladas românticas, canções irônicas e outras invenções. E não podia ser diferente, pois bebendo na fonte do tropicalismo, em época de ebulição sonora tanto na música brasileira como estrangeira, Rita assimilou distintas influências criando um estilo próprio e particularmente brasileiro de compor e tocar rock.
Através dos Mutantes, quando fizeram sua primeira apresentação no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record em 1967, acompanhando Gilberto Gil na música “Domingo no Parque”, Rita já demonstrava seu espírito de vanguarda e transformação.
O movimento tropicalista com Caetano, Gil, Gal, Tom Zé; o rock inglês dos Beatles, Rolling Stones, The Who; o rock norte-americano, de Elvis e Chuck Berry a Jimmi Hendrix e Janis Joplin; a bossa nova e a música brasileira em geral, foram alguns dos principais componentes que desaguaram no jeito Rita Lee de fazer música. Mais tarde, em carreira solo, suas parcerias com Roberto de Carvalho resultaram em hits presentes no imaginário de qualquer pessoa, independente de faixa etária e gosto musical.
O roteiro do show traz sucessos de todas as fases de sua carreira com lugar cativo no gosto do público, além de músicas que há bastante tempo não canta ao vivo, como "Bwana"(que ganhou nova versão: "Obama"), "Cor de Rosa Choque", a novíssima "Tão" e as releituras da clássica "Baby", de Caetano Veloso, da divertida "Vingativa", das Frenéticas, e "I wanna hold your hand", dos Beatles, que recebe versão intitulada "O bode e a cabra", e vem vestida de forró.
No palco, Rita está acompanhada das guitarras e vocais de Roberto de Carvalho e Beto Lee, Brenno di Napoli no baixo, Edu Salvitti na bateria, Danilo Santana nos teclados, Débora Reis e Rita Kfouri nos vocais.

RITA LEE no show MULTISHOW AO VIVO
Dia 03 de Outubro
Floripa Music Hall – 22 h
Informações: (48)3222-8416

Parque do Vassourão: Cidadania e Cultura

Na edição passada do Jornal da Lagoa, foi veiculada a importante matéria sobre a possibilidade de construção do Parque do Vassourão. Este é um projeto que traria grandes benefícios de maneira geral, tanto para os moradores da Lagoa, de outros bairros e também visitantes de fora da cidade.
Um dos apelos para a construção do espaço, além dos já citados na última edição, seria a possibilidade de utilizar uma parte da área para atividades culturais como apresentações de música, teatro e dança. Com a decadência da pracinha Bento Silvério, o bairro está com raras alternativas de lugares para esse tipo de atividade.
O projeto do parque vem ao encontro de outra idéia defendida nesta coluna anteriormente: a da organização de um festival de música e cultura com maior porte.
A cultura, como meio de expressão popular, precisa de espaços públicos para manifestar-se. Em Florianópolis, e especialmente na Lagoa da Conceição, estas áreas são limitadas e escassas, sendo que a sobreposição do espaço privado em detrimento do público é cada vez mais freqüente. A viabilização do parque seria uma grande conquista para a cidadania.